Entendendo o setor
O Brasil tem uma das indústrias de celulose mais competitivas do mundo graças ao ciclo de crescimento do eucalipto, que aqui leva 7 anos para ser colhido, contra 30+ anos na Escandinávia e Canadá. Isso se traduz em custo de produção significativamente menor que os concorrentes globais.
Suzano (SUZB3) é a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo após a fusão com a Fibria em 2019. Klabin (KLBN11) tem portfólio mais diversificado, com celulose, papéis embalagem e tissue, o que reduz a exposição pura ao preço da celulose.
O setor exporta mais de 80% da produção para Europa, China e América do Norte, gerando receita em dólares. O câmbio é um dos maiores determinantes do resultado em reais, dólar alto é diretamente favorável para as margens.
O grupo também inclui a Eucatex (EUCA3 e EUCA4), que produz painéis de madeira, tintas e divisórias para a construção e o mobiliário, com perfil mais ligado ao mercado interno e à construção civil do que ao das exportadoras de celulose.
Como funciona
Receita majoritariamente em dólares (exportação), custos operacionais em reais (mão de obra, logística, energia). Ciclo da celulose é determinado pelo equilíbrio entre oferta (novas plantas) e demanda (papel e embalagem global). Empresas integradas como a Klabin têm mais previsibilidade por diluir risco entre diferentes produtos.
Principais riscos
Ciclo de preço da celulose BHKP (benchmark global) é o maior risco: em períodos de excesso de oferta (novas plantas entrando em operação), o preço cai e as margens se comprimem. Câmbio apreciado (dólar fraco) comprime a receita em reais. Risco de taxa de juros é relevante para empresas alavancadas como a Suzano, que carrega dívida bilionária em dólares.
